Com destaque para mulheres, 72ª Feira do Livro de Porto Alegre reúne Aline Bei, Monja Coen, Márcia Tiburi e Rita Von Hunty
Programação principal da Feira também terá convidados internacionais e nomes como Elisa Lucinda, Jessé Souza, Cidinha da Silva, Noemi Jaffé e Marcelino Freire
Dias e horários das atividades estarão disponíveis no site da Feira do Livro a partir desta segunda, 28
A presença de mulheres é um dos destaques da programação principal da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, que será realizada de 30 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega. Entre as convidadas estão a escritora Aline Bei, uma das vozes de destaque da literatura brasileira contemporânea, a Monja Coen, referência na aproximação entre espiritualidade e vida cotidiana, a filósofa Márcia Tiburi e a comunicadora Rita Von Hunty. A edição também terá a patrona Heloisa Pires Lima, escritora, antropóloga e educadora, primeira mulher negra a ocupar o posto na história da Feira.
As atividades ainda ampliam o diálogo da Feira com autores e artistas de diferentes países. Estão confirmados nomes como Filipa Fonseca da Silva, Laura Ortiz Gomez, Hanan Kattan, Moshtari Hilal, Neige Sinno, José Eduardo Agualusa, Ernesto Picco e Afonso Cruz, que chegam a Porto Alegre para encontros com o público e conversas sobre literatura, memória, identidade, política, cultura e os desafios do presente. A edição de 2026 ocorre sob o conceito “Essência que faz histórias”, retomando a relação construída entre a Feira e a cidade ao longo de mais de sete décadas.
Para Roseni Siqueira Kohlmann, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, a diversidade da programação é uma escolha que amplia o papel da Feira como espaço de encontro entre diferentes experiências e formas de pensar. “A programação que estamos apresentando traduz uma Feira que não quer apenas reunir autores conhecidos, mas colocar diferentes vozes em contato com o público. A presença expressiva de mulheres, a participação de autores de outros países e a diversidade de temas mostram que a literatura pode partir de experiências muito particulares e, ainda assim, produzir conversas que interessam a toda a sociedade. Queremos que cada pessoa encontre na Feira uma obra, um autor ou uma ideia que provoque alguma reflexão e permaneça depois que o evento terminar”, pontua.
Entre os demais nomes já confirmados estão Elisa Lucinda, Jessé Souza, Cidinha da Silva, Noemi Jaffé, Nei Lopes, Marcelino Freire, Milly Lacombe, Clóvis de Barros Filho e Jefferson Tenório, patrono da 66ª Feira do Livro, em 2020. A programação reúne autores de diferentes gerações e campos de atuação, aproximando literatura, pensamento, comportamento, questões sociais e cultura contemporânea. Alguns dos convidados também participarão de encontros com estudantes, ampliando a presença da Feira na formação de novos leitores. A programação da edição inclui ainda atividades voltadas ao público infantil e juvenil, entre elas uma agenda inédita dedicada ao Anime.
A literatura poética como forma de resistência
A programação principal começa no dia 31 de outubro, sábado, com “A Literatura Poética como forma de resistência”, encontro entre Aline Bei e a escritora Julia Dantas, responsável pela mediação. Autora de “O peso do pássaro morto”, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e “Pequena coreografia do adeus”, finalista do Prêmio Jabuti, Aline Bei construiu uma escrita marcada pela relação entre prosa, poesia e ritmo.
Em sua obra, temas como infância, perda, relações familiares e experiência feminina aparecem em uma linguagem fragmentada e intensa. O encontro propõe uma conversa sobre a literatura como forma de elaborar experiências, tensionar silêncios e criar novas possibilidades de expressão. Julia Dantas, autora de “A mulher de dois esqueletos”, conduz o diálogo.
Palavras para acalmar o mundo
Outro destaque é o encontro “Palavras para acalmar o mundo”, com Monja Coen e mediação da jornalista Tânia Carvalho. Jornalista de formação e monja zen-budista ordenada no Japão, Coen construiu uma trajetória marcada pela aproximação entre espiritualidade, literatura e questões do cotidiano.
Na Feira, ela propõe uma conversa sobre o tempo presente, os afetos, a convivência e a capacidade de recomeçar. A partir de experiências ligadas à prática budista e à vida contemporânea, o encontro coloca em discussão temas como consciência, compaixão e presença.
Empoderamento racial
As experiências negras em diferentes contextos estarão no centro do painel “Vamos falar sobre empoderamento racial?”, com Stefano Volp e Eliseu Banori, sob mediação de Eduardo Peixoto. A conversa parte das obras “Santo de casa”, de Volp, e “Numa manhã de junho”, de Banori, para aproximar experiências marcadas por diferentes territórios e histórias.
O encontro aborda questões como vulnerabilidade, afetividade e os estereótipos associados ao homem negro, além das marcas deixadas pela infância atravessada pela guerra civil na Guiné-Bissau. A proposta é discutir como a literatura pode romper silêncios e construir narrativas capazes de dar complexidade a experiências frequentemente reduzidas a estereótipos.
Palestina revelada
A programação internacional também terá o painel “Palestina Revelada”, com Hanan Kattan, autora da obra de mesmo nome, Mariana Dawas e mediação de Nanni Rios. Publicado no Brasil pela Carta Editora, “Palestina Revelada” é uma obra de não ficção que busca reconstruir, a partir da perspectiva da autora, acontecimentos históricos e mecanismos políticos relacionados ao deslocamento e à perda de território dos palestinos.
A conversa parte do livro para discutir memória, território, narrativa histórica e a forma como acontecimentos relacionados à Palestina foram registrados e apresentados ao longo de décadas. Hanan Kattan, produtora cinematográfica, comunicadora e uma das criadoras do “The Enlightenment Podcast”, chega ao Brasil para o lançamento da edição em português, que é a primeira tradução da obra para outro idioma. Em Porto Alegre, o debate está marcado para 2 de novembro, seguido de sessão de autógrafos.



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